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Escrevendo a Paz

 (Texto de ESCREVENDO A PAZ, concurso realizado pela UNESCO e Folha Dirigida em 2003, onde concorri com 12.800 universitários participantes e fui selecionada entre os 100 que compuseram o livro, aos 18 anos... ou seja, 20 anos atrás)


Olho a janela, vejo prédios em vez de campinas. Vejo pessoas passando apressadas, ouço carros zunindo em vez de pássaros a cantar, não vejo crianças brincando e as que vejo trazem no olhar, lá no fundo, alguma tristeza. Não se tem paz? Vejo paredes pichadas, vejo gente apanhando, vejo gente morrendo... Ouço gente chorando! Mede... Onde está a luz para tanta escuridão? Onde foi deixada a sensibilidade? Por que tanta dor? Tudo isso poderia ser diferente, se todos quiséssemos, se houvesse harmonia...

                Não me conformo com um mundo que fere o próprio coração! Eu observo, as pessoas andam cabisbaixas, com um olhar preocupado, agoniadas, reparando de um indo para o outro, com medo... Sim, medo de caminhar e, até mesmo, de viver! Vejo mais do que a dor predominar. É a insegurança... E posso ouvir a paz sendo chamada, num grito desesperado, dentro dos corações! Todos a querem, todos a que... São pessoas que nascem , são pessoas que choram, que, por vezes, abrem sorrisos que logo se fecham, são pessoas que não querem mais ter medo!

      O mundo traz armadilhas cruéis, e vemos o sangue inocente de quem amamos simplesmente escorrer, escorrer, escorrer... Não, não entendo como pode haver certas pessoas sem um pedaço sequer de doce no coração?!! Por que tanto ódio, por que tanta maldade? Por quê? Isso parece sem fim, que nunca vai terminar, e a quem iremos recorrer? A quem? De onde se pode resgatar a esperança? Ninguém quer perder, ninguém quer morrer! Seria mais fácil amar, doar a mão.

      É a maioria que sofre! Nem o que aparenta ser mais feliz é tão feliz. Sim, todos têm medo... Das sombras do ontem, da agonia do hoje e mais ainda, da incerteza do amanhã... Todos quase vivem, e assim, já estão mortos! Pois, não conseguimos nem olhar para o céu direito, não conseguimos nem apreciar os pequenos detalhes... O que fizemos da vida? O que é a vida? O que é o amor? Onde está a paz?!! Não custa nada. Somos pegos tão inesperadamente!? Covardemente... Não nos resta tempo nem para dizer até breve, nem para deixar um último olhar.

      Não... Eu quero e exijo um mundo melhor! Sim, todos querem..! Todos querem um mundo em que se possa viver de verdade, um mundo cujo centro é o amor, onde reina a paz... É sim, ninguém quer mais lágrimas. Todos querem um mundo que simplesmente seja mundo! Como deveria ser... Onde todos conseguem sorrir.

Eu, só ouço gritos dos quais não quero mais ouvir!! E, temos que costurar a ferida aberta, temos que deixar o tempo passar e cicatrizá-la. Não basta escrever a paz, temos que encontrá-la! Talvez, no lugar que ficou perdida dentro de nós... E, não basta querermos viver, se não trouxermos vida para quem está ao nosso redor, pois não vivemos sozinhos e nunca viveremos! Está na hora de escrever direito sobre linhas tortas, de apagar o medo e mudar nossa história.




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